Paulo Bruscky – Ars Brevis
(De 9 de novembro a 28 de abril de 2008. MAC USP Cidade Universitária.)
Foi a partir deste ano que o artista plástico Paulo Bruscky, de 58 anos, tornou-se conhecido, apesar da vasta produção do pernambucano desde os anos 60. Ao aproximar a arte da vida cotidiana Bruscky acabou sendo marginalizado, se manteve fora do mercado e foi incompreendido pela crítica. Desde março, sua obra passa por uma revisão e seu nome virou febre no circuito das artes plásticas.
O reconhecimento nasceu do esforço da pesquisadora Cristina Freire, que assina a curadoria de uma exposição com mais de 150 trabalhos do artista, "Ars Brevis", a primeira retrospectiva dedicada a Bruscky.
O trabalho de Paulo Bruscky, de caráter experimental, recebeu clara influência do grupo de vanguarda Fluxus, que na década de 60 desenvolveu uma atuação social e política radical ao questionar a institucionalização da arte. Artista multimídia, Bruscky foi pioneiro na rede mundial de arte postal nos anos da ditadura militar no Brasil. Ars Brevis revela ao público a assumida precariedade de suas obras, nas quais utiliza como suporte o xerox, a fotografia, o fax, o mimeógrafo, carimbos, recortes de anúncios, panfletos, e até mesmo material e máquinas do Hospital Agamenon Magalhães, no Recife (onde trabalhou por anos no departamento de comunicação como funcionário público), como eletro-encefalógrafos, eletrocardiógrafos, aparelhos de raio X e papel timbrado.
A curadora optou por subdividir a exposição em 7 núcleos, já que a trajetória de Bruscky não obedece a um padrão linear. São eles Eu Comigo, em que o artista se apresenta como personagem de si mesmo em performances e ensaios fotográficos; Arte Postal, onde pode ser observada a intensa troca de correspondência de cunho político entre artistas de várias nacionalidades realizada nas décadas de 60 e 70; Poesia Visual, com frases sintéticas, colagens e caligramas; Máquinas Poéticas, sobre sua vasta experimentação com máquinas xerox e aparelhos de fax; Biblioteca, composto pelos livros de artista, que compõem grande parte da obra de Bruscky; Hospital-Estúdio, sobre suas experimentações durante seu dia-a-dia como funcionário público de um hospital, que envolviam carimbos e papel timbrado da instituição e manipulação de eletroencefalógrafos, aparelhos de raio x e afins para o desenvolvimento de seu trabalho artístico; Cotidiano, em que mostra objetos de uso comum.
O diferencial de Bruscky é a busca em romper as barreiras entre arte e não-arte
Visita feita em: 13/04/2008
Ao adentrar a exposição, confesso que me deparei com obras de caráter meio sombrio. A música, os vídeos que passavam e as próprias obras eram um tanto assustadoras. Isso até eu conseguir fazer uma releitura de cada objeto visto ali e entender o significado de cada uma delas, não só para mim, mas para a Arte como um todo.
Pelos textos escritos nas paredes de cada sala, que divide cada obra ao seu momento/inspiração, pude perceber a relação que o artista faz entre os objetos de seu cotidiano e a arte. Arte expressa, muitas vezes de uma forma ‘nua e crua’. Outra característica notável do artista é a preocupação com a situação político-administrativa social e econômica do Brasil. -Como a própria obra descreve mais abaixo -
Fica então nítida sua participação, mesmo que de forma artística, na política do país. Suas críticas juntamente com as suas idéias, esclarecem o ponto de vista que o artista tem de determinada época. Como no caso dessas obras:
A Arte Postal, como o próprio
artista denominou, também denuncia a política da época. Foram estas diferenças que fizeram com que a arte postal tivesse um papel muito especial na América Latina nos anos 70. Artistas como Paulo Bruscky burlavam a censura criando uma rede de comunicação mundial pelos Correios. A troca de posta
is criados pelos artistas transformou-se em uma forma de denúncia sobre os abusos dos militares na América Latina. Eles formavam uma grande rede de troca de idéias e informações, antecipando em 1970 princípios muito importantes da produção artística dos dias atuais, como por exemplo, a internet, que ampliou e aumentou a velocidade das trocas em rede.
Quando digo que o artista transforma o cotidiano em obra de arte, me refiro ao seu mais intimo cotidiano, dos objetos que o acompanhavam todos os dias, durante anos a fio. Como por exemplo, as máquinas do hospital em que trabalhava em Pernambuco. (Carimbos, eletro-encefalograma, aparelhos de raio X...) O artista faz desses objetos aparentemente comuns, algo de importante como no caso da obra “O meu cérebro desenha assim,
Participam de seu cotidiano também objetos encontrados em sua casa, (não só na dele) como um ferro de passar roupa, um fax, latas de óleo, fotografias, remédios...



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