Mostra expõe genes japoneses presentes no dia-a-dia brasileiro
Evidenciar as influências do Japão que passaram a permear o cotidiano brasileiro nos cem anos de imigração é o objetivo da exposição "O Japão em Cada Um de Nós" que começa quarta-feira (21) na sede do Banco Real, na avenida Paulista (centro de São Paulo).
Para os descendentes, o espaço mais interessante é o do "Portal da Memória", projeto que catalogou e traduziu as fichas de chegada dos imigrantes japoneses ao Brasil. Quase todos os nomes estão lá, em letras românicas --nome, sobrenome, navio, data de saída do Japão e data de chegada ao Brasil. Há alguns, porém, que permanecem em ideogramas.
Mas a exposição também guarda surpresas para os não-descendentes. No setor que trata da agricultura estão culturas trazidas do outro lado do mundo: caqui, ponkan e pimenta do reino; na parte relacionada ao comércio, a inegável semelhança entre as sandálias Havaianas e as sandálias japonesas modelo zôri.
Explorar as gavetas dedicadas às publicações é outra boa surpresa. Uma delas revela um som de cavaquinho que se confunde com um koto e uma gravação da conhecida professora de caligrafia Hisae Sagara que, em voz mansa, recita um haicai do escritor Nempuku Sato, o primeiro a trazer a arte para o Brasil.
Com recursos interativos, a exposição traz depoimentos de nikkeis influentes na arquitetura, na biologia molecular, na mecatrônica, na termo-luminescência, nos transplantes de córnea. Traz ainda nikkeis importantes para os esportes como o mestre de judô Massao Shinohara; o mesa-tenista Hugo Hoyama e o primeiro profissional de sumô do Brasil, Luis Go Ikemori.
Há homenagens ainda àqueles que não foram medalhistas, mas fizeram muito pela história dos japoneses no Brasil. São fotógrafos, tintureiros, cabeleireiros e costureiros que tiraram suas famílias da zona rural e as trouxeram para o convívio urbano.
"O mais importante da exposição é o compartilhamento. Da mesma forma que os imigrantes vieram compartilhar do que havia no Brasil, nós também compartilhamos deles. Foi, desde o começo, uma troca de costumes", destaca Célia Abe Oi, historiadora do Museu da Imigração Japonesa do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social) de São Paulo e curadora da exposição.
O também historiador Paulo Garcez também assina a curadoria da exposição.
Serviço
Quando: De segunda a sexta, das 9h às 19h e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h. Até 18 de julho
Onde: Espaço de Exposições do Banco Real (avenida Paulista, 1.374 - Centro)
Quanto: Entrada gratuita
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